Rumo a Estação Islândia
“Após ler o livro você vai ter vontade de pegar o primeiro avião para Reykjavik”. Essa é a única forma que eu encontro de tentar explicar o que se sente ao ler “Rumo a Estação Islândia”.
Embora os nomes das “figuras” e bandas te deixem meio confusos no começo, logo você passa a ser espectador do palestrante, em determinados momentos chega a ser como se você estivesse ouvindo o reverendo Massari contando suas histórias tornando fácil a leitura, já que as mesmas são carregadas de termos imortalizados pelo ex-VJ da MTV como “rifferama”, “guitarrísticos”, “registros” e por aí vai.
Vale lembrar que essa matéria não tem qualquer intenção de ser uma análise profunda sobre o assunto, procurei pegar alguns tópicos importantes e alguns nomes conhecidos para familiarizá-los um pouco mais com o livro que vai muito além dessas curtas passagens que coloco na coluna.
Lançado em 2000, o livro de Fábio Massari é leitura obrigatória para os amantes dos bons e “bizarros" (como diria o próprio) sons.
O reverendo abre seu diário de bordo com uma simpática descrição sobre a localização geográfica daquele distante, gelado e um tanto quanto "provinciano" país. Como curiosidade o livro destaca que a Islândia liberou a cerveja pra galera só em 1989, isso mesmo... 89, foram 74 anos de proibição à boa e velha “breja”. Consegue imaginar um lugar onde a cerveja seja proibida?. Pois é...na Islândia era!!!
Após as devidas apresentações entre o leitor e a terra de bandas cujos nomes são “impronunciáveis”, Massari começa a nos apresentar figuras locais importantíssimas como Magnus “Maggi” Kjartansson que participou de bandas como “Ódmenn” e “Trúbot” na longínqua década de 60 (final). A entrevista mostra que o rock estava mudando a cara do mundo também nos mais remotos lugares com influências do “fenômeno” Beatles e de bandas históricas como Rolling Stones e Beach Boys. O período 60,70 termina com Massari comentando sobre discos de bandas da época como o “Icecross” por exemplo.
Passado o berço do rock islandês, o destaque passa para o que “talvez” seja o movimento mais importante da história da Islândia em se tratando de música: “Rokk I Reykjavík “. O registro em video (arrojado para época como descrito por Massari) e áudio que trazem 19 bandas “mandando ver” na linha “faça você mesmo” e é indispensável para entender como foi o movimento punk na capital islandesa, que como explica um dos entrevistados, teria sido muito mais um movimento cultural que político, diferente do que houve na Inglaterra. A partir daí o livro explana importantes bandas como “Kukl” (vi um vídeo e achei ótima banda) e Sugarcubes (a mais conhecida e mais bem sucedida da época), não por coincidência as duas tiveram a frente ninguém menos que “Bjork”, passando a aparecer como assunto em diversas entrevistas durante o livro onde fica evidente sua posição de estrela maior da música islandesa.
O livro encerra com discos de experimentalismos mil dos anos 90 analisados por Massari e Sigur Rós (que já passou por aqui).
Isso é só uma pequena parte do que o livro tem de bom, então... “rumo” a essa viagem imperdível e boa leitura.
Serviço: "Rumo a Estação Islândia" Editora Conrad
Site: http://www.lojaconrad.com.br/produto.asp?id=65
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